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Em oposição ao pensamento estratégico dominante, existem padrões identificáveis
nos movimentos estratégicos do tipo “oceano azul”, tanto dentro quanto ao redor
das indústrias. Renée Mauborgne, consagrada co-autora do livro Blue Ocean
Strategy, que aborda aqui esse tema.
A metáfora dos oceanos azul e vermelho descreve o mercado e suas extensões. Os
oceanos vermelhos representam todas as indústrias existentes hoje e a amplitude
de seus mercados. Neles, o tamanho de um mercado é definido e aceito, e as
competitivas regras do jogo são conhecidas.
As empresas que atuam dentro desses
oceanos tentam se sobressair sobre a concorrência para abocanhar uma maior
fatia do mercado. À medida que a área desse mercado fica povoada de
competidores, as chances de lucro e crescimento diminuem, os produtos viram commodities
ou segmentos, e a voraz concorrência deixa o oceano “ensangüentado”.
Oceanos azuis, por sua vez, representam todas as indústrias não existentes hoje
e seu desconhecido mercado intocado pela concorrência. Em oceanos azuis, a
demanda é criada, em vez de ser obtida através de lutas. Há uma ampla
oportunidade para crescimento, que por sua vez é tanto lucrativo quanto rápido.
Nesses oceanos, a concorrência é irrelevante porque as regras do jogo
encontram-se stand-by, aguardando serem definidas. A analogia é
utilizada para descrever um potencial, amplo e profundo espaço do mercado, que
ainda não foi explorado.
O fundamento da Estratégia do Oceano Azul é a inovação de valor. Um oceano azul
é criado quando uma empresa obtém uma inovação que gera valor, simultaneamente,
tanto para o comprador quanto para a empresa. A inovação (em produto, serviço
ou delivery) precisa criar e aumentar a percepção de valor pelo mercado
enquanto, ao mesmo tempo, reduz ou elimina características ou serviços que
possuem menos valor para o consumidor atual ou futuro.
A idéia de que empresas de sucesso são players de baixo-custo ou que
atuam em nichos de mercado é rechaçada pela Estratégia do Oceano Azul, que
propõe a busca do valor além da segmentação mercadológica convencional e a
custos menores. Esse pensamento entende que o modelo convencional é falho, uma
vez que a diferenciação pode ser um meio das empresas alcançarem custos baixos.
Mauborgne afirma que a Estratégia do Oceano Azul faz sentido em mercados onde a
oferta é maior que a demanda. Um exemplo dessa estratégia é o bem-sucedido
Nintendo Wii, desenhado para atingir um público não tradicionalmente
interessados em videogames.
Em
oposição ao pensamento estratégico dominante, existem padrões nos movimentos
estratégicos do tipo “oceano azul” tanto dentro quanto ao redor das indústrias.
Por exemplo, o padrão “criação” apresenta, com variações marginais, três pontos
principais:
- a inovação tecnológica não é, por si mesma, uma estratégia do tipo “oceano
azul”. As tecnologias de ponta às vezes são envolvidas na criação de “oceanos
azuis”, mas não são uma característica definidora deles.
- “oceanos azuis” podem ser criados tanto por corporações já estabelecidas como
por novos players, o que desafia a doutrina que sugere que empresas
“recém-nascidas” têm vantagens naturais em criar mercados em comparação a players
mais maduros.
- empresa e indústria são unidades erradas de análise. A unidade tradicional de
análise estratégica leva em consideração a empresa e a indústria. Mas isso tem
pouco poder de explanação quando é preciso analisar como e por que “oceanos
azuis” são criados.
- a unidade mais apropriada de análise para explicar a criação de “oceanos
azuis” é o movimento estratégico – o conjunto de decisões e ações gerenciais
envolvidas na obtenção de um mercado maior – criando ofertas de negócios.
- a criação de “oceanos azuis” é um catalizador-chave para posicionar uma
determinada indústria dentro de uma trajetória ascendente de crescimento e
lucro. É também o determinante principal que leva a empresa tanto a um
crescimento lucrativo quanto à sua queda, quando outra empresa ganha a
liderança e cria um novo “oceano azul”.
- Criar “oceanos azuis” cria marcas. A criação de “oceanos azuis” vai muito
além de contribuir para o fortalecimento da empresa e seu crescimento
lucrativo. O movimento estratégico exerce um efeito positivo e vigoroso no
estabelecimento de uma marca com reputação na mente dos compradores.
Por Renée Mauborgne
Fonte: Harvard Business Online
Data: 04/09/2008
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